sexta-feira, agosto 12, 2005

Persistence of Memory


A sala estava vazia... Por muito pequena que fosse, nunca aquele pequeno espaço tinha sido tão grande. Vazio, frio, quase abandonado... Os sons que se ouviam, ecoavam de longe. Longe fisicamente, muito mais longe no pensamento. O tempo tinha voado, ainda ontem não estava ali. Aquela sala tinha guitarras, mas nem um estalido de uma corda se ouvia. Nem mesmo os passos mais apressados dos que querem ser mais do que nós incomodavam...
Dei por mim a viajar no tempo e a retrospectivar a minha vida. Só Damien Rice era capaz de prender a atenção, só a sua Blower's Daughter tinha a capacidade de ecoar por toda a sala. A única música que existia naquele computador parecia estar ali para este momento. Sozinho, mas ao mesmo tempo acompanhado. Fragmentos de memória acompanhavam-me durante aqueles curtos minutos. O retroceder de um ano e pensar o que eu era, pensar o que sou e mais do que isso, pensar o que poderei ser...
Por um lado, a nostalgia... Por outro, a ansiedade de quem espera pelos dias de descanso. Se por um lado pensava em descansar, por outro, pensava nos momentos únicos que tinha vivido durante o ano que tinha passado. Únicos. Mesmo aqueles em que tudo se resumia a olhar para um livro e não saber o que dizer ou pensar. Mesmo aqueles em que deixava de racionalizar e só conseguia fechar os olhos e pensar que um dia, tudo aquilo valerá a pena.

A música acabou. Com ela, um ano passou... E mesmo que um dia eu ache tudo isto muito ridículo, fica o desejo de repetir por muitos anos tudo o que vivi, não só neste ano, mas nos 20 anos que tive a felicidade de viver até hoje.
Afinal, valeu a pena esperar.

Obrigado aos que me dão o privilégio de os acompanhar. Aos que conheço há menos de um ano e muito especialmente, aos que eu acompanho há anos...
Sois os maiores...

O melhor é não fazer "repeat" da música do Damien Rice que isto tá a ficar sentimentalista demais.


Luís Peixoto, the Scottish

4 comentários:

Anónimo disse...

Este anónimo chamado Acosta, está de lágrima no olho a escrever isto. Isto é bem verdade, não ganho nada em dizê-lo, mas fiquei emocionado. Se nos momentos mais tristes ressoar na memória a imagem de quem nos faz sorrir, nesse momento toda a lógica se inverterá, e só nos fará chorar. E fiquei de certa forma emocionado ao ler este post, pois se quem o escreveu teve vontade de o fazer, é porque alguma coisa já fizemos por ele que o fez rir. Enquanto esse sorriso perdurar, nada nos fará desaparecer na densa neblina do esquecimento. Enquanto esse sorriso perdurar, seremos anónimos com nome. Enquanto esse sorriso perdurar, seremos alguém que importa. Enquanto esse sorriso perdurar, teremos razão para sorrir. Enquanto esse sorriso perdurar a "sala" não estará "vazia", as "guitarras" não estarão em silêncio. Enquanto esse sorriso perdurar, o Damien Rice tocará vezes sem conta...
A essência é essa, se já fizemos alguém sorrir, nunca seremos anónimos. Pelo menos, anónimos sem nome...
Um abraço, o anónimo (ou o Acosta...)

Anónimo disse...

é verdade...um ano...se por um lado custou tanto, todo o trabalho, todo o stress q nos pos dementes...por outro, foram tantas as situaçoes, as vivencias, os acontecimentos, tudo o q o se passou (nessa mesma sala) faz-nos pensar que o ano passou mesmo a correr. nem demos pelo tempo passar. so kuando paramos e nos afastamos é q vemos a falta q toda a agitaçao e todos aqueles que nos aturam nos fazem. obrigado a todos os q me fizeram sentir bem e em casa durante este tempo! e bale...n te preocupes q ja falta pouko para a sala estar cheia outra vez!
(grrrrrr...merda da nostalgia...)

Anónimo disse...

Pois é Bale toda essa nostalgia de que tu falas invade-nos no mesmo momento em que lemos este post.É bom recordar os bons momentos que passámos juntos e saber que, se Deus quiser, muitos mais virão. Mesmo os maus momentos podem ser recordados de uma forma positiva, pois assim sabemos que os ultrapassámos e continuamos aqui, melhores que nunca.
Também admito (sem qualquer tipo de vergonha) que fiquei emocionado ao ler o que escreveste, e continuo emocionado enquanto escrevo isto.
E continuo emocionado porque, por cada palavra que escrevo, lembro-me de algo do passado que eu, tu, e todos os nossos amigos tivemos o prazer de partilhar em tantos bons momentos da nossa vida. Os simples sorrisos, as gargalhadas, as imensas alegrias que já tivemos irão para sempre estar presentes na nossa memória.
A nossa maneira de encarar as situações já fez sorrir muita gente, e só por isso, já nos podemos considerar muito mais felizes.
Espero que continuemos a viver assim a nossa vida, pois é assim que sempre fomos, e é assim que as pessoas querem que sempre sejamos, alegres, (demasiado)divertidos, e por vezes, até um pouco parvos.Mas é assim que nós somos...
Um grande abraço do teu ainda maior amigo

Mendonça

Anónimo disse...

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